Menos açúcar e menos afeto, mas nem por isso infeliz...
Uma das minhas principais características sempre foi o romantismo. Quando criança, sonhava de olhos abertos com histórias fantásticas e tinha uma imaginação fértil ao extremo, a ponto de preocupar minha família com amigos imaginários e aventuras superlativas que só existiam no meu mundo.
Na adolescência passei pelo trauma de deixar o universo limitado de uma cidade do interior e mudar pra capital: nova rua, novo colégio, novos amigos.
Apaixonei-me perdidamente pela primeira vez aos 16 anos. Platonicamente. Mas era tudo tão perfeito (na minha cabeça) que isso (de amar sozinho) era só um detalhe. O tempo passou (na verdade, muito tempo passou) e a tal paixão platônica virou obsessão, quase doença.
Nessa fase, que eu chamo ultra-romântica, não me envolvia com ninguém de verdade, só com personagens idealizados por mim. As coisas evoluíram (?!), tive meu primeiro romance real (uia!) que, depois de ter cumprido seu ciclo, acabou. A partir daí veio outro e outro e outro. Relacionamentos com mais ou menos intensidade, nem por isso de menor importância.
Porém o romantismo (que motivou esse texto) nunca havia saído de cena. Eram sempre aquelas festas por dentro cada vez que eu me apaixonava. Rituais que culminavam em pequenas epifanias, marcando cada uma das minhas histórias.
Isso até bem pouco tempo. Hoje, como loba, percebo que estou cada vez menos paciente para começos, meios e fins.
Se antes era capaz de palavras, frases, parágrafos inteiros para descrever sensações de plenitude (e desilusão) ao compartilhar minha vida com alguém, atualmente fico feliz em pensar que meu aconchego, minha casca-protetora não está fora, não é prerrogativa de outra pessoa. Percebo a cada dia que não preciso necessariamente de outro personagem pra continuar esse enredo. Afinal, ele é meu.
Às vezes o par não vem (e parece que estamos sempre à espera de ser dois, não é mesmo?) e você tem que buscar a tal felicidade sozinho (contrariando a canção)... da melhor forma possível, sem fazer dos períodos de solidão um drama sem fim. Na maioria dos casos a tal sorte do amor tranqüilo (com-sabor-de-fruta-mordida) surge quando menos se espera...





Umbigo
Tudo que tenho porto comigo
tudo que porto é meu umbigo
tudo o que importa é estar comigo
tudo é pouco,
tudo é umbigo
tu é tudo,
tu, amigo.

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